Ao isolar-se em seu mundo, acreditando que tudo o que fez foi em vão, ele teve a sensação de regressar àqueles idos anos em que vivia isolado, oprimido pela sua insistência em defender estranhos valores que, para si, não tinham significado.
Fugindo, caminhou pelo ar frio e nebuloso em direção à escola em que estudou, aos lugares onde foi feliz, depois de sair da casa dos pais. Ao distanciar-se daquela casa problemática, sentiu vergonha da infância desvanecer-se no passado. Mas agora entrou em todas as inseguranças e medos que sentiu durante a escola e juventude, todo aquele pânico de andar nuam corda bamba social.
Ele só se sentiu aliviado depois de regressar ao presente. Então sentou-se em sua cadeira, na sua casa, e refletiu. Viu o quanto tinha melhorado desde então. E esta melhoria, de dia para dia, fazia com que estivesse cada vez mais perto de encontrar a princesa. Se ela existir - e ela tem que existir - vai transformá-lo, a ele e a todos.
Na sua busca, ele sentiu que todos os lugares trazem uma emoção e que todas as emoções evocam uma memória, um tempo e um local. Não poderia ele encontrar a princesa agora, nesta madrugada, vagueando apenas de lugar em lugar, de memória em memória e vendo como ele se sentia? Um rastro de sentimentos, de respeito e de inspiração deveriam conduzí-lo a esse castelo: no futuro, envolto nos braços dela, o amor dela enchendo-o de contentamento; e isso cria um momento tão forte que ele consegue se lembrar dele no passado.
Então, sem delongas, ele parte na manhã seguinte em direção ao que quer que o amanhã lhe aguardasse. Sentia uma espécie de otimismo.