Ela nunca compreendeu os impulsos que o guiavam, nunca sentiu a intensidade que, ao longo do tempo, esculpiu linhas no rosto dele, nunca esteve o suficientemente próxima dele. Mas ele tinha-a como se estivesse. Ele acreditava que ela o compreendia. Sussurava-lhe palavras ao ouvido que apenas uma alma gêmea deveria ouvir.
Com o tempo ele cansou-se de precisar sempre se expressar para ser entendido. Cansou-se de sempre necessitar expor como se sentia, com todas as palavras. E uma duvida surgiu. Por que ele conseguia entendê-la sem ela nada dizer e com ele, ela não poder fazer o mesmo? Duvida maldita.
Claro, tudo isso há muito tempo. Hoje estava ele com "ela". E ambos sabiam que tinha chegado o momento. Ele teria dito: "Tenho de ir procurar a minha princesa", mas não era preciso. Deu-lhe um último beijo, pôs a mochila ao ombro e partiu. Ao longo de todas as noites que se seguiram, "ela" continuava a amá-lo como se ele estivesse ficado, para a reconfortar e para a proteger.
E muitas vezes voltou sem respostas, cansado, sem encontrar a sua princesa. E "ela" cansou-se dele. Princesa maldita.
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