quarta-feira, 30 de março de 2011

Tempo e Perdão

E ele anda a procura da sua princesa, sem saber o que fazer, onde ir ou o que falar. O que se sabe é que ela foi raptada por um ‘monstro horrível e malvado’. E isto aconteceu porque ele cometeu um erro. E não apenas um. Ele cometeu vários erros durante o tempo em que estiveram juntos. As memórias da sua relação desvaneceram-se, perderam-se, estão totalmente alteradas, mas uma imagem ficou marcada: a princesa a virar-lhe as costas bruscamente, seus longos cabelos ruivos a balançar de contentamento.
Ele sabe que ela tentou perdoar. Mas quem consegue esquecer uma mentira, uma traição? As relações mudam irreversivelmente com um erro assim, ainda que nós tenhamos aprendido com os nossos erros e não os voltemos a repetir. Os olhos da princesa estreitaram-se e ela tornou-se mais distante.
O nosso mundo, com as suas regras da casualidade, treinou-nos para sermos mesquinhos com o perdão. Se perdoamos demasiado depressa, podemos magoar-nos muito. Mas, e se aprendêssemos com os erros e nos tornássemos melhores por isso, não deveríamos ser recompensados por essa aprendizagem, ao invés de sermos castigados pelo erro?
E se o nosso mundo funcionasse de outra forma? Suponhamos que lhe poderíamos dizer: “Eu não queria dizer aquilo”. E ela responderia: “Tudo bem, eu entendo”, e não iria embora e a vida continuaria como se nunca tivéssemos dito nada? E da melhor forma possível, poderíamos eliminar os danos e mesmo assim aprender com as experiências.

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