quinta-feira, 31 de março de 2011

Tempo e Mistério

Ele queria partir. Então deixou a princesa. Beijou-a, agarrou a sua mochila e foi-se.
Mas ele lamenta tê-lo feito… até um certo ponto.
Iniciou uma busca. Uma busca por conhecimento. Sua aventura se prolongou e com ela obteve respostas.
E com essas respostas iniciou uma nova busca. Uma busca para reencontrar a princesa. Para mostrar que sabe o quão triste foi sua decisão mas também para lhe dizer quão bom. Pois durante muito tempo julgou que estavam cultivando a relação perfeita. Ele foi ferozmente protetor tentando por um fim a todos os erros possíveis antes que estes afetassem a princesa. Assim sendo, mantendo com rédea curta os seus próprios erros, ela sempre lhe agradou.
Mas estar à vontade com o conforto de alguém é uma forma de “existir” com graves consequências. Pois para poder te agradar totalmente ela tem de te compreender totalmente. E não podes por isso desafiar as suas próprias expectativas ou estar fora do seu alcance. O amor e a tolerância dela limitaram-no e os feitos da sua vida não saíam para além do mapa que ela esboçou.
Ele não podia mais ser manipulável. Ele precisava de uma esperança de transcedência. Precisava, por vezes, de ser imune ao toque da princesa.

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